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MELGAÇO, MEU REGAÇO!



Me(u/l) (re)gaço és, Melgaço,
Terra de sonho e ternura
Que embala a criatura
Que está disposta a sonhar
Quem me dera a primavera
Sempre a florir em teu solo;
Erguer-te, criança, ao colo,
E em meus braços te ninar!

No acalanto vejo o pranto
E teus gemidos, tuas dores;
Me tomo por ti de amores
E de um ciúme secreto
Que em renúncia à denúncia
Dos maus-tratos por que passas
Prefiro cadeias, desgraças,
Mas não me calo, abjeto!

Que eu fique só o bagaço
Se de ti me esquecer, Melgaço!
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NO ESPELHO DE TEUS OLHOS, TEU SORRISO!



Para Marilda Andrade

Eis tudo o que eu preciso: Teu olhar
E teu sorriso - duas joias castas -
Eu necessito - e só tu me bastas -
Para a minha pobre alma enfeitiçar

Em teu sorriso claro de luar,
Em teu olhar que as trevas vãs, nefastas,
Dissipa, e dissipando, então, devastas
Tudo o que, enfim, me pudesse torturar!

Tens no olhar a inocência da menina
E no sorriso - d'alma portfólio -
A sensualidade da felina!

És tudo o que sonhei: Meu paraíso!
E eu me perco no espelho de teus olhos
Pra me reencontrar em teu sorriso!
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CANÇÃO PARA ACORDAR MAMEDE



Qual canção de um velho estradivário
- Suave som pelo tempo carcomido -
O meu verso (sem charme e sem sentido)
Se esvai nas flamas de um incendiário.

Que desprezo o meu povo tem sofrido!
Quantas mazelas! Quanto leprosário!...
Meu coração de revolucionário
(Lenha que arde no peito entristecido)

Explode em chamas deixando o ar arisco.
Há sangue pelas ruas!... (Ninguém se importa
Com o coração de um poeta triste...)

É a turquesa sonhada por Francisco
De Oliveira e Souza  - que me conforta -
Acordando co' o povo que resiste!
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GAZAL À BELEZA DA FLOR



Impelido a versejar
Tua beleza vou louvar

Tua graça e elegância
Ao mundo todo mostrar

E teu porte altaneiro
Nessas rimas destacar

E o olor de teu perfume
que me faz enfeitiçar

Que me faz alegremente
Ao tem lado sempre estar

Pois outra não há no mundo
Que se possa comparar

A ti, ó rosa bendita,
Senhora do meu penar!
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SONETO PARA A MÃE MARTA GARCIA



Que poema compor e com que rima
Se és Poesia em flor desabrochando
Se as belas margaridas vão murchando
À tua simples presença - ó Rainha!

Se é egoísmo dizer que és só minha
(Esses versos em paz vou murmurando)
Digo: És mãe de meus filhos sempre! E quando
A sós estamos teu colo me aninha!

És mãe, esposa, mulher e companheira!
Quero contigo estar a vida inteira
Porque és doçura, Marta - mel, Garcia!

Este soneto saiu meio apressado
Mas é puro o sentimento aqui jurado:
Parabéns, Marta, mãe - pelo teu dia!
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MOTETO DO AMOR DESEJADO



Os seios que se insinuavam ao meu cortejo
Despiram-se na noite de luxúria
Enquanto eu ardia em febre!.. Num lampejo,
Sem mais delongas e com fúria,
Amei a quem me vendo na penúria,
         Sem injúria,
Entregou-se-me, inteira, com desejo!
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POMBOS, ABUTRES E ALGUMAS ANDORINHAS



Mais do que pombos que sujam os telhados,
Vós sois abutres comendo a carniça
Do povo que, oprimido, pede justiça
Na voz escassa dos poetas desalentados...

(Se à reprimenda basta apenas a premissa
De exercer direitos assegurados
Na Carta Magna, então ficar calados
É o que esperais de nós na triste liça!?)

Pois, sim! Não calamos ante a vossa gárgula
E a vossa empáfia - soberbas, desumanas -
E resistimos com fé no coração.

Pois falta pouco e o paiol de pólvora
Há de explodir em vossas mãos tiranas
Porque meu povo quer libertação!
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AO PASTOR JÓ NOS SEUS CINQUENT'ANOS



Jovem, muito jovem aos cinquenta,
O líder serenamente se impõe
Imperioso, e de paz se alimenta -
Zangado ou calmo obstáculos transpõe! -
Alerta na bonança ou na tormenta
Ele segue empenhado na peleja:
Liderar de Cristo a Santa Igreja!

Com braço forte, coração valente
O obreiro obediente e aprovado
Entrega, em cada mensagem, ao crente,
Luz e verdade de nosso Deus amado!
Hoje e sempre Deus te conserve assim
Oramos nós, pedindo! Ele nos há de ouvir!

Durante a caminhada desta vida
O Senhor te acompanhe e te ilumine
Servo bom e fiel! Hás de vencer na lida

Seguindo em frente sem desanimar.
A luta é grande, mas é menor que a vitória;
Nada temas, pois Deus contigo está
Te abençoando na santa trajetória!...
Oh, irmãos, alegres, nos lábios risos e cantos
Saudemos ao Pr. Joizael Coelho dos Santos!
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UM ANO DE ORFANDADE MELGACENSE...



Justo hoje um ano se vai passando.
O sentimento, no entanto, é o mesmo:
Saudade infinda, coração sangrando...
É o teu povo lamentando a esmo.

Mudaram as estações, nada mudou...
Assim começa (por enquanto) Renato Russo.
Ruço é o tempo que a grave voz calou
Inconfundível voz de um poeta sem jaça
A denunciar desmandos, injustiças, desgraça!

Resta-nos a esperança e a inteligência:
O pra sempre, sempre acaba e, um dia,
Daremos o nosso grito de independência
Respaldados no que chamamos democracia.
Inflamados os corações num só desejo
Guiaremos, por fim, nosso destino,
Unidos em um fantástico cortejo
E, em plena avenida, o sibilino
Será compreendido num lampejo!

Vê, Zequinha, quão profunda e alta,
Imensa e larga é tua saudade.
Entretanto, uma coisa em nós não falta:
Garra para lutar por liberdade.
Aguerrido, por ti, Melgaço, então avança,
Sabendo que em eterna paz descansas!
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Deu a louca no universo
Só há jardins sem rosa
E esta infante lua cheia
Ainda está gibosa!
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SONETO AO PR. JOÃO



Jubilosos, os Céus recebem com emoção
O seu mais novo integrante do coral -
Anjo tornado por sua partida terreal -
O amado homem de Deus, Pr. João!

Corações estilhaçados como cristal
Obumbrados pela lágrima da aflição
Esquecer não podem a dura separação
Levada a termo por uma dor descomunal!

Hoje, muitas recordações, muita saudade...
Ontem, um gesto de última despedida
Ficando, na alma, a meiga luz desse olhar

Inesquecível a transmitir serenidade,
Lições de fé, de paz e amor, lições de vida...
Hoje rogamos a Deus que possa consolar
Os olhos que tão grande perda vêm chorar!
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MOTETO DO AMOR QUE NÃO TEM JEITO



Se o amor que trago cá no peito
Pudesse ser expresso livremente
Eu te daria uma flor (amor-perfeito!)
Que brotou no meu jardim recentemente
E espalhou seu perfume efervescente
             De repente
Na saudade desse amor que não tem jeito!
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PENSAMENTO EM SÍNCOPE



É preciso não pensar em certas cousas:
Em certo olhar castanho de ternura;
Em certos lábios onde o amor repousa;
Em certas mãos macias de candura!...

É preciso encerrar-se na clausura
Do vítreo mármore fiel da fria lousa...
É preciso não pensar em certas cousas:
Em certo olhar castanho de ternura!

No entanto, o pensamento vai e pousa
Na amada ausente (sorriso e formosura)
E nesse afã, o pensamento inútil ousa
Eternizar o fim sem fim dessa tortura...
É preciso não pensar em certas cousas!
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PRISÃO FORMAL



Eu quis enlarguecer meu sentimento:
Quis expressá-lo em odes colossais,
Em pantuns, baladas, cantos reais
Ou mesmo em vilancetes! Meu tormento

Foi perceber que as formas poemais
Nem sempre à luz exata do momento
Traduzem o que vai no pensamento
- Palavras de belezas surreais!

E o experimento prossegui em vão:
Dar forma e dar asas à canção
Que minh'alma decantou num poemeto...

Foi difícil viver essa aventura
Mas, por fim, eu domei minha ternura
Na laje pré-moldada do soneto!
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SONETO DA HUMILDADE


SÉRIE: SETE SONETOS, SETE VIRTUDES!


É preciso manter os pés no chão
E palmilhar a estrada sem desânimo,
E o peito abrir tão magnânimo,
Destacando a paz do coração!

É preciso não deixar faltar o ânimo
Que é o responsável maior da emoção
De, aos limites, mostrar superação
De um modo muito único, longânimo!

Estarei, em meio a poucos sobressaltos,
Pronta a ajudá-lo a descer do salto alto
E a chegar mais perto da realidade.

Alicerce de todas as virtudes
Sou a base do viver em plenitude
Muito prazer! Meu nome é Humildade!
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SONETO DA CARIDADE


SÉRIE: SETE SONETOS, SETE VIRTUDES!


Meu coração transborda de ternura,
De bondade, perdão, benevolência,
Que pratico no irmão a indulgência
De um erro cometido, porventura!

Se vejo uma injustiça, sou clemência
Que estabelece a justiça que perdura;
Sinto a alma mais leve e mais pura
Quando meu ser é todo complacência!

Quem me quiser acompanhar no mundo
Verá que o sentimento mais profundo
E o mais fértil da Humanidade

Sou eu - fruto  que brota do amor sublime -
Que no ato do perdão tudo redime.
Prazer em conhecer! Sou Caridade!
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SONETO DA PACIÊNCIA


SÉRIE: SETE SONETOS, SETE VIRTUDES!

Para quê uma carranca no semblante
Se posso estampar serenidade,
Se aquilo que me traz felicidade
É compreender e amar meu semelhante?!

É preciso manter a suavidade
Seja, embora, o momento estressante...
Sou a virtude que te torna elegante
Quando tudo é só perplexidade!

Quem me conhece é gente muito boa
Possuir-me não é pra qualquer pessoa
É preciso que se tenha prudência.

Quem tem a mim tem paz no coração
Sou o oposto do que chamam depressão...
Sou longânime! Meu nome é Paciência!
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SONETO DA DILIGÊNCIA


SÉRIE: SETE SONETOS, SETE VIRTUDES!



Não me apetece nem um pouco a inércia
De quem não quer saber de labutar
Dizendo não ter forças pra lutar
Contra a vil infâmia da solércia;

Pois só prospera quem quer trabalhar
E não aquele que vive só de mércia...
(Quem busca a Providência pela tércia
Terá sempre uma luz a lhe guiar!)

E é preciso agir com maestria
E a tarefa executar do dia
Com muita honradez e competência

Pra que não chegue a sombra da pobreza...
Sou a virtude que te dá destreza
Com prazer, eu me chamo Diligência!
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SONETO DA TEMPERANÇA


SÉRIE: SETE SONETOS, SETE VIRTUDES!


Nem mais, nem menos: na medida certa.
Lema perfeito de quem tem juízo.
Reter para si só o que for preciso
Faz a mente manter-se sempre alerta.

Quem anda comigo jamais é indeciso:
Sabe discernir a má da boa oferta.
Bem protegido, não deixa entreaberta
A porta ao descontrole incircunciso.

Sem exageros, sigo vigilante,
De forma comedida, sem rompante,
Me abstendo da inútil comilança.

Vou mantendo de meu corpo a saúde
Entre cuidados que me bastam, amiúde.
Muito prazer! Eu sou a Temperança!
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SONETO DA GENEROSIDADE


SÉRIE: SETE SONETOS, SETE VIRTUDES!


Sou feliz em poder compartilhar
Meus sonhos, minha vida, minhas posses.
Antes que as horas passem tão veloces
Quero poder meu próximo ajudar.

Nada é meu: meu vigor ou minhas tosses,
Tudo, enfim, é só um sopro de ar
Que pode, de repente, se findar
Em fluídicas abstrações precoces!

Por isso ver um sorriso estampado
No rosto de quem era desprezado
Pela humana e injusta sociedade

É, para mim, o mais sublime bem
Que vou fazendo sem olhar a quem...
Prazer! Me chamo Generosidade!
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SONETO DA CASTIDADE

SÉRIE: SETE SONETOS, SETE VIRTUDES!


Das virtudes cristãs sou a primeira.
Baluarte do bom senso e da moral
No leito imaculado do casal
Estou, que se ama a vida inteira!...

Dos sagrados preceitos meu fanal
É guardar a luz pura e verdadeira;
Controlar toda paixão alvissareira
Que me possa desviar do ideal

(Sublime emanação da natureza)
De manter-me em estado de pureza
Neste mundo de sensualidade!

Quem me busca purifica a sua alma
E a enche de amor, ternura e calma...
Deixe que me apresente: Castidade!

by Haroldo Viena de Brito
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Apresentação

Cantinho da Saudade é o espaço virtual de compartilhamento de meus rabiscos de poesia produzidos desde 1994 até a atualidade, através dos quais canto a vida em suas múltiplas nuances! Os poemas que aqui vão são elaborados de acordo com as mais variadas regras e temáticas da arte poética clássica, moderna e contemporânea, consoante as múltiplas vozes de meus heterônimos!


Prefácio

Cantinho da Saudade é o meu blog
Onde quase sempre venho postar
Arrebóis, luas ternas, brisas do mar,
E uma velha ternura de bulldog!

Mergulhe à vontade, mas não se afogue
Nas águas cristalinas desse mar.
E, se razão faltar-lhe pra chorar,
Volte, então, outro dia, bem mais grogue,

Pois aqui encontrará um coração
Dilacerado sob o plenilúnio
De lembranças perenes de emoção

E saberá que da vida o infortúnio
É, procurar, em vão, na madrugada,
O sorriso da Eterna Namorada!...


Visitas de Calíope e Érato

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