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HAYKAI Nº 42



Quente primavera:
Aproveitando o mormaço
Calcinhas no pátio!

by Jayme Lorenzini García
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BALADA DO AMOR LEMBRADO


De longe venho e as mãos vazias
Dos teus carinhos vãos de outrora
(Quando ao meu lado tu sorrias
E o teu sorriso era a aurora
Que amanhecia em minha vida
Cheia de encantos e resplendor)
Trago à saudade carcomida,
Só a lembrar do nosso amor!

Foram os meus mais belos dias
Os que por esta vida afora
Vivi contigo as alegrias
Repartindo-as sem mais demora
Mas de repente de vencida
A solidão em meu desfavor
Deixou-me em crise suicida
Só a lembrar do nosso amor!

Hoje andando pelas coxias
Pareço ouvir tua voz sonora
Dizendo que jamais irias
De minha vida triste embora...
Mas, eis que um dia, aborrecida
Dos meus poemas, do meu louvor,
Sem dó deixaste-me, querida,
Só a lembrar do nosso amor!

OFERTA

A ti, Princesa, uma acolhida
De deusa faço com primor
Nesta balada comovida
Só a lembrar do nosso amor!

by Zennon Rodrigues Tavares
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HAYKAI Nº 41



Oh, raro fenômeno
Sussurros à lua cheia -
Cópula dos gatos!

by Jayme Lorenzini García
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LOUVANDO AS TUAS PRIMAVERAS


Mote:

Louvando as tuas primaveras
Que já trinta e oito são
Te ofereço o coração!

Voltas:

Com palavras mui sinceras
Nas voltas de um vilancete
Louvando tuas primaveras
Trago, neste ramalhete,
Flores de todas as eras
Para tua exaltação
Plantadas no coração!

Trinta e oito são teus anos
Vividos com alegria
Suportaste poucos danos
Enlaçada à Poesia
O mais feliz dos humanos
Sou e com tal devoção
Te ofereço o coração!

by Daniel Jônatas M. de Queirós Mauá Jr.
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BALADA DE AMOR E PRANTO


Quero compor uma balada
Que fale dessa minha dor
Em que minh'alma acabrunhada
Qual feia e moribunda flor
Jaz deste aquele triste instante
(Ai, ai, ai ai, pecados meus!)
Em que vieste tão ofegante
Dizer-me o teu triste adeus!

Do vento forte a lufada
Se faz ouvir com gran fragor
Qual se tua voz, ó Bem-Amada,
Se anunciasse com langor
A me lembrar do amargurante
Momento  vão (valha-me Deus!)
Em que vieste esfuziante
Dizer-me o teu triste adeus!

Sozinho pela madrugada
Meus versos tristes a compor
Pensando em vão na Namorada
Que me pôs nesse dissabor
Ouço um lamento altissonante
(Nênias de nobres e plebeus...)
És tu, que vens, dilacerante,
Dizer-me o teu triste adeus!

OFERTA

A ti, Princesa, dilacerada
Minh'alma canta os sonhos seus:
Não venhas nunca, indelicada,
Dizer-me o teu triste adeus!

by Zennon Rodrigues Tavares
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MEU DESEJO É A LUA



Do instante quero sorver todo o sumo
Labareda a esvair-se toda em fumo
É a vida que não é aproveitada.
Em ver a lua meu desejo eu resumo!

by Zennon Rodrigues Tavares
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RONDEL DA INCERTEZA


De quem é esse gesto que carrego
Na noite escura em densa solidão
Se o que fui não mais sou e nego
Que possa haver ternura e gratidão

Nessa áspera água em que ofego
Caminhando a esmo sem razão?...
De quem é esse gesto que carrego
Na noite escura em densa solidão?

Não seria do fantasma que fumego
Nas cinzas do cigarro em minha mão?
Se de lirismo o meu verso rego
Me diz: porque essa incômoda sensação?
De quem é esse gesto que carrego?...

by Manoel da Silva Botelho
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LIRA Nº 1

 
Quem dera minha lira
Denunciasse a dor deste momento
Em que o peito delira
Junto à fúria do vento
A síntese do meu triste lamento!

by Gumercindo Dantas de Albuquerque
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VIVER A VIDA...



A vida é aproveitar cada momento
Que deve ser sorvido à contento
Qual o vinho na taça do prazer.
O passado é tão só esquecimento!

by Zennon Rodrigues Tavares
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HAYKAI Nº 40



Tracajá desova
Na roça recém-queimada -
Manhã de primavera!

by Jayme Lorenzini García
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CRESCENTE


Cai o véu da noite sobre a terra
Celestes brilhos cintilam na amplidão
Casais a passear pelas praças desertas
Carinhos mútuos, afagos quentes,
Carícias de fogo eriçando a pele,
Castos idílios, romances d'outrora:
Coitas d'amor  sob o crescente lunar!

by Zennon Rodrigues Tavares
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UNS VERSOS DE TERNURA E DE SAUDADE



Nem ao menos um poema, um acróstico,
Um soneto, uma nênia, uma tristeza...
Onde está o poeta que, pernóstico,
Por empatia, a alheia dor verseja?

E, se for ele próprio quem esteja...
Deus do céu, que horrível prognóstico!:
O poeta que exalava luz, beleza,
Fenece ao entalar-se com um monóstico!

Sim! É o poeta que se vai sozinho
Adentrando os Portais da Eternidade
Deixando, após si, pelo caminho,

A extrema dor que nosso peito invade...
...Sempre tê-lo, conforta-nos, pertinho,
Nuns versos de ternura e de saudade!

by Jayme Lorenzini García
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INDRISO COMPLACENTE



Onde estão os pássaros de outrora
Que gorjeavam suas notas musicais
Nos beirais de meu telhado complacente?!

Foram voando ao Leste buscar a aurora
Onde descansam meus trinados e meus ais
Da vida que gozei inutilmente?

Os dias que vivi foram em vão?

- Só quem o sabe é o magoado coração.

by Léo Frederico de Las Vegas
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ESPREITANDO O AMOR



A lua vadia, uma luz fraca, mortiça
Estendia, displicente, com preguiça
    Em nossa cama (oh, dulçor!)
E as estrelas em sonatas dolentes
Umas longe demais, outras cadentes,
    Velavam o nosso amor!

by Zennon Rodrigues Tavares
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MOTETO PARA ADIAR A MORTE



A cultura que os humanos criam
É tão-só para ludibriar a morte!
Em sonhos se debatem, se copiam...
Uns no relento, outros têm a sorte
De ter a riqueza sempre ao norte
           Como consorte!
Suas culpas em ternuras sempre expiam!

by Zennon Rodrigues Tavares
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O FLUIR DO TEMPO



O tempo flui passando tão depressa.
Já é sol a pino mal o dia começa.
Por isso importa aproveitar o instante
Porque talvez o amanhã não amanheça!

by Zennon Rodrigues Tavares
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OUÇA-ME, LUA NOVA!


Lua nova dá que eu possa
Sair logo dessa fossa
Em que estou a me afogar
Que me salve um amor novo
Quero andar por entre o povo
E muita inveja causar!

by Léo Frederico de Las Vegas
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CAMA DE VIME, DOSSEL DE PRATA!



Nós nos amamos sob um dossel de prata
Enquanto a lua ouve a linda serenata
          Dos demais enamorados!
Ainda assim o nosso amor é o mais sublime:
Mesmo amando em cama rústica de vime
          Nós nos quedamos saciados!

by Zennon Rodrigues Tavares
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AO PÉ DO LEITO DERRADEIRO...



Este castelo é tua última morada
Que erigi outro dia, de repente,
Homenagem singela deste crente
Que te presta humilde culto, ó Amada!

Trago-te a vida desesperançada
Troante vida que ficou silente
Desde o dia em que, repentinamente,
Deixaste nossa casa abandonada.

E trago-te, também, estes gerânios,
Que cultivavas, lindos, na janela
Do quarto que nosso idílio abençoou.

Que um dia (ao nos perceber germânios)
Há de, enfim, nos (re)unir aquela
Que por ora, sem dó, nos separou!

by Pedro Paulo Barreto de Lima
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ROUNDEL DA ETERNA ESPERANÇA



Há tempos que eu te espero
Qual Penélope a Odisseu
Mas o que digo é sincero:
O meu amor é todo teu!

Sou inteiramente tua
Como sei que tu és meu
Tu és o sol, eu sou a lua!

Eterno é nosso himeneu
Mas, quando hás de, enfim, chegar?...
Embora a desesperar
O meu amor é todo teu!

by Kammille Nunes de Lima
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INDRISO HORACIANO



Resíduos da noite se despedem
No esparso nevoeiro do horizonte
Saudando os raios luminosos

Do astro-rei que surge, benzejo,
Trazendo a alegria de viver
Cada instante dessa grande dádiva

Sorvendo o vinho bom inda guardado.

Horaciano, o tempo breve passa!

by Zennon Rodrigues Tavares
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HAYKAI Nº 39



Sabiá-da-mata
Gorjeia e mata a sede -
Rio de primavera!

by Jayme Lorenzini García
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ÓRFÃOS DE UM ILUSTRE MELGACENSE




Estamos órfãos!... E a dor que avassala
Nossa alma é imensa e os versos parcos
Pra falar o que a Indesejada cala:
Que nós choramos tua partida, Marcos!

Foram breves teus anos cá na terra
Vividos com amor e muita fé...
Mas no peito a solidão a dor encerra
De perdermos teu convívio, José!

Foste exemplo de paz e hombridade
- De participação religiosa -
Vivias com ternura essa verdade
Servindo ao Pai celestial, Barbosa!

Pai amado, amigo, irmão, querido esposo,
Que à Amada sempre dava madressilva
Como olvidar-te o terno olhar bondoso
Que devotavas a tudo, da Silva?!

Este poema é a nossa homenagem
- Canto triste, de triste pintassilva -
Para que sigas em paz tua viagem
Ó Marcos José Barbosa da Silva!

By Zennon Rodrigues Tavares
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O BAILE DA SAUDADE


Não fosse essa lua
A bailar no céu
E a saudade tua
Fazendo escarcel
No coração que há
No poeta aprendiz
Minh'alma a chorar
Talvez fosse feliz!

by Léo Frederico de Las Vegas
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A VIDA SEMPRE CANTANDO



A vida sempre cantando
Em minha esparsa poesia
Dia e noite, noite e dia,
Vou pela estrada afora
Para em versos redondilhos
E em rima bem sonora
Falar de amores vidrilhos!
A vida sempre cantando
Poemas de amor entoando;
Em minha esparsa poesia
A vida sempre cantando
Versos de pura emoção!
Ternuras do coração
Palpitando noite e dia.
Vou continuar rimando
Amor, prazer, alegria
A vida sempre cantando!

by Zennon Rodrigues Tavares
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CINZAS DE UMA PAIXÃO



Receio que traga em meu peito
As brasas de uma paixão
De um grande amor desfeito.
Receio que traga em meu peito
Um sentimento perfeito
Carregado de emoção
Receio que traga em meu peito
As brasas de uma paixão!

by Léo Frederico de Las Vegas
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UM HINO À VIDA



À vida vou cantar um hino
Sublime, excelso, ressupino
Que possa acalantar a dor
Como uma pétala de flor
Em seu perfume alabastrino!

Quero o meu verso peregrino,
Esbelto, doce, cristalino,
Erguendo preces de louvor
       à vida!

Pegar, então, do violino,
E num concerto vespertino
Me derramar todo em langor
Enaltecendo a paz, o amor,
Roubando o vezo purpurino
       à vida!

by Zennon Rodrigues Tavares
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RONDEL PARA O DIA DOS MORTOS



Viestes descansar em outros portos
Almas benditas que mudas estais?
Onde andastes? Em que caminhos tortos?
Seguindo a sina dos antigos pais?

A ver estrelas de que aeroportos?
Naus ancorando em que extintos cais?
Viestes descansar em outros portos
Almas benditas que mudas estais?

Na agonia eletrizante desses hortos
Modernos que deglutem os meus ais
Compreendo vossa sina vã de mortos
Pois que se a vida não lhes servia mais
Viestes descansar em outros portos!...
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MOTETO MANEMBRO


Um moteto pra começar novembro
Num tom retrô de saudade poética!
Um poema que se sentisse membro
Da restrita sociedade eclética
Dos poetas amantes da estética
       Bela e benéfica
Que me extasia e deixa-me manembro!

by Zennon Rodrigues Tavares
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Apresentação

Cantinho da Saudade é o espaço virtual de compartilhamento de meus rabiscos de poesia produzidos desde 1994 até a atualidade, através dos quais canto a vida em suas múltiplas nuances! Os poemas que aqui vão são elaborados de acordo com as mais variadas regras e temáticas da arte poética clássica, moderna e contemporânea, consoante as múltiplas vozes de meus heterônimos!


Prefácio

Cantinho da Saudade é o meu blog
Onde quase sempre venho postar
Arrebóis, luas ternas, brisas do mar
E uma velha ternura de buldogue!

Mergulhe à vontade, mas não se afogue
Nas águas cristalinas desse mar...
Mas se razão faltar-lhe pra chorar,
É favor vir outro dia bem mais grogue,

Pois aqui encontrará um coração
Dilacerado sob o plenilúnio
De lembranças perenes de emoção

E saberá que da vida o infortúnio
É buscar, em vão, na velha madrugada,
O sorriso da Eterna Namorada!


Visitas de Calíope e Érato

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