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HAYKAI Nº 17



 Passeio noturno:
Lua crescente sorri
Ao poeta bêbado!

by Jayme Lorenzini García
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CODICILO



I

O segredo indecifrável de amar
Guardado a sete chaves em meu peito
Sabê-lo-á quem cultivar perfeito
Desejo de despir-se ao luar

E ser feliz pela vida e cantar
E ao nobre Cupido render preito
Seguindo-lhe fielmente o preceito
De deixar-se simplesmente inundar

Da atmosfera de sonho e fantasia
Que acompanha a vida noite e dia
De quem busca fugir dos desenganos...

O segredo que guardo um dia hei
De revelá-lo a uma fina grei
Quando o peso eu sentir dos anos!

II

Quando o peso eu sentir dos anos
E assaltar-me a névoa da tristeza
Quando em nada já não vir beleza
E mesmo assim buscar prazeres lhanos

Que me levem muito além dos oceanos
Esses desejos plenos de surpresa
E que meu estro registre com presteza
O mais antigo sonho dos humanos:

Viver eternamente a aventura
De amar e ser amado com ternura
E de viver eternamente em paz...

Mas, na impossibilidade - ó tormentos -
Hei de levar o gozo dos momentos
Bem vividos que passei entre os mortais!

III

Bem vividos que passei entre os mortais
Foram os anos de vida abençoada
Em que gozei ao colo esquerdo da Amada
De um sonho onde a ternura se compraz!

E se agora não me apetece mais
Lançar mão da viola enluarada
E sair serenando à Namorada
Versos que prenunciem temporais

De amor, é que eu estou já no outono
Da vida, meio largado ao abandono
De ver envelhecido o cartaz

Que do circo anunciava a atração...
E hei de sentir bater meu coração
Quando a brisa assustar-me de fugaz!

IV

Quando a brisa assustar-me de fugaz
E aos poucos me faltar tenacidade
Para erguer minha voz com liberdade
Por sobre a crista da montanha audaz

Quando o brilho marrom dos coqueirais
Sugado pela luminosidade
Da vaga lua, cheia e branca de saudade,
Pousar na solidão dos corumbás,

Hei de erguer a fronte já cansada
Pra receber o carinho da Amada
Que por mim atravessou os oceanos...

E, qual criança, brincando coelho sai
Perseguirei a brisa que se vai
Correndo solta atrás dos minuanos.

V

(Correndo solta atrás dos minuanos
Vai minha Amada, lépida e faceira
Sem saber que dentro da algibeira
Trago-lhe versos lúbricos, profanos...)

Ah! Como eram mui felizes esses anos
Bem retratados na quadra primeira
Em que viviam à minha soleira
A Fé, a Paz, o Amor e seus arcanos!

Mas isto agora tudo está distante:
Já se ofusca o majestoso diamante
E se quebram as teclas dos pianos...

E eu me pergunto - crente, resoluto -
Quando virá me lamentar o luto?
Quando os carinhos longínquos, profanos?...

VI

Quando os carinhos longínquos, profanos
Da donzela que me trouxe ao seio
Forem raros e não houver mais meio
De acalentar os meus gritos insanos

Quando os raios argênteos, mundanos
Da triste lua puserem sem receio
Suas garras em meus cabelos, creio
Que deste feito não estarão ufanos

Aqueles que partilham da tristeza
Que existe em meus versos! Com certeza
Lembrar-me-ão em alegres saturnais...

E hão de ser o perfume entre os espinhos
Quando nada mais restar-me e os carinhos
Da Bem-Amada não me buscarem mais!

VII

Da Bem-Amada não me buscarem mais
As lembranças de tudo o que vivemos
É que o cume do monte galgaremos
Que se chama Delícias Eternais!

E se as nuvens trouxerem vendavais
E as lembranças amargas que sofremos
Forem uma constante (que diremos?)...
Têm sua beleza as tardes outonais!

Quando do peito faltar-me a energia
Que de meu rosto mostrava a alegria
Estampada ao atingir meus ideais

Hei de feliz, ser mais que uma lembrança
Num quadro azul de sala, e com bonança
Hei de estar no mausoléu da paz!

VIII

Hei de estar no mausoléu da paz
A descansar de toda a amargura
Que sofri quando perdi a ternura
De minh’alma há algum tempo atrás

Quando, feliz, meu ser o sonho audaz
Fomentava de por em partitura
A humana alegria, e pôs tristura
Que tornou a beleza ineficaz!...

Hei de estar em meu lugar sagrado
Descansando em paz, feliz, malgrado
Seja meu corpo comido por gusanos...

A vida é assim! Há que aceitar-se
Que toda pompa um dia há de findar-se
Em recônditos tristes e lejanos!

IX

Em recônditos tristes e lejanos
Se finda toda a soberba humana
Qual se os olhos atentos da cigana
Refletissem seus desejos levianos!

É o fim da glória dos vesuvianos
Brasidos que se veem da persiana
Da saudade, e ninguém chega ao Nirvana
Apegado a sonhos vãos, horacianos!

É preciso viver intensamente
O hoje que se dá como presente
E desprezar a desgraça, o infortúnio!

Esse é o lema que eu tenho vivido,
Meu segredo, meu tesouro escondido
E o que tenho de sagrado e apolúnio!

X

E o que tenho de sagrado e apolúnio
Para quem hei de deixar um dia?
Era essa a pergunta que eu fazia
Orbitando em belo perilúnio

Sem sequer uma resposta!... (Impune o
Verso segue em frente! Quem diria?)
E a mim, resta, com sabedoria,
Guardar meu segredo intercolúnio!

Mas, se um dia alguém me perguntar:
O que deixas a quem se debruçar
Sobre tua alma e teu ser neptúnio?...

- Deixo as juras de amor à Namorada,
Os carinhos que roubei da Bem-Amada
Uns poucos versos, todo o plenilúnio!

XI

Uns poucos versos, todo o plenilúnio
E o beijo da aurora renascida
Eis tudo o que me é caro nesta vida
Que desfrutei altivo, alticolúnio,

No cimo do amor!... O novilúnio
Completou minha sina imerecida
Cheia de amores - riqueza escondida
Nas diáfanas asas de um interlúnio!

Isto que há pouco eu tinha em monopólio
Como tesouro, completa o espólio
Que pela vida a fora hei de deixar!

Mas lá pros longes da mansão sombria
Hei de levar comigo a poesia
E a aurora que nasce em teu olhar!

XII

E a aurora que nasce em teu olhar
E a noite que habita teus cabelos
E o arfar de teus lábios e os apelos
Do ditoso coração a demonstrar

Que na vida te hei de sempre amar
E nós entrelaçados em novelos
Tudo isto que guardado hei com zelos -
Meu espólio, com quem mesmo ficará?

O doce de teus olhos, a ternura
De tua alma a acenar-me com a ventura
De gozar plenamente a alegria

Isto tudo que animou o meu ser frágil
E livrou-me dos restos de um naufrágio,
Tudo isto deixarei a quem um dia?

XIII

Tudo isto deixarei a quem um dia
A minha alma virar pelo avesso;
A quem quiser encontrar o endereço
De minha tão combalida poesia!...

A quem também descobrir a eufonia
Escondida de modo tão travesso
No cerne de meu ser qual adereço
De um mundo de sonhos, fantasia!

É chegado o momento! O codicilo
Que ora faço me deixa tranquilo
Apenso ao testamento que outro dia

Publiquei. Nada a acrescentar, porém
Reiterar: Meu tesouro deixo a quem
Decifrar todo o meu ser que escondia...

XIV

Decifrar todo o meu ser que escondia
- Já não sei mais exatamente o quê -
É uma tarefa que dei a quem me lê
E degusta essa profana poesia!

Já meu estro se vai em letargia
Abrigar-se além do que se vê
E eu me quedo já quase a fenecer
Lembrando os dias bons, de alegria,

Que se perderam dos tempos na noite
Em que passei a zombar do fero açoite
Da Morte, sempre longe, d'além mar...

É já hora de deixar o meu legado
A quem puder desvendar, extasiado,
O segredo indecifrável de amar!

XV SÍNTESE (CODICILO)

Quando o peso eu sentir dos anos
Bem vividos que passei entre os mortais
Quando a brisa assustar-me de fugaz
Correndo solta atrás dos minuanos

Quando os carinhos longínquos, profanos,
Da Bem-Amada não me buscarem mais
Hei de estar no mausoléu da paz
Em recônditos tristes e lejanos!

E o que tenho de sagrado e apolúnio:
Uns poucos versos, todo o plenilúnio
E a aurora que nasce em teu olhar;

Tudo isto deixarei a quem um dia
Decifrar todo o meu ser que escondia
O segredo indecifrável de amar!

by Léo Frederico de Las Vegas
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DANÇA DA FELICIDADE


Mote:
Dancei nessa noite a valsa dos anjos,
Um hino bonito que sai lá do imo.
Edith Maria Lobato

Dancei nessa noite a valsa dos anjos,
Um hino bonito que sai lá do imo.
Oh! Que melodia! Que belos arranjos!
Que música suave feita com todo o mimo!

Partitura poética de precioso arrimo
Que dos lábios inefáveis sai dos arcanjos!
Dancei nessa noite a valsa dos anjos,
Um hino bonito que sai lá do imo.

Sinfonia completa, orquestra de banjos
Que inunda a minh'alma e então me aproximo
Dos seres celestes, e esqueço os macanjos!
Da felicidade me encontro no cimo:
Dancei nessa noite a valsa dos anjos!

by Jayme Lorenzini García
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DESCOBERTA



Em teus olhos
vislumbro
Um pálido luar!

by Jayme Lorenzini García
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INDRISO DESEJADO













Ah, como eu queria ter feito este indriso!
E cercar-te de flores, de luas e ventos,
E trazer-te, de bubuia, meu amor, na preamar!

Ah, como eu queria te levar ao paraíso,
Afastar-te de todos os males e tormentos,
Com meus versos tristonhos te encantar!

Ah! Viver esse amor em combustão

Nas larvas chamejantes da paixão!

by Jayme Lorenzini García
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A LUTA MAIS VÃ SOB A ÓTICA DE DRUMMOND



Faço poemas ao romper da aurora
Com versos plenos de melancolia,
Neles desato a chorar embora
Traga na alma um quê de alegria,

Um misto quente de prosa e poesia
Que dilue essa tristeza sem demora.
Faço poemas ao romper da aurora
Com versos plenos de melancolia

Que me lembram o viver de outrora
Quando eu, abraçado à fantasia,
Para ser feliz não tinha hora...
E hoje, saudoso, mal nasce o dia,
Faço poemas ao romper da aurora!

by Jayme Lorenzini García
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TRIOLÉ DA INGRATA PAIXÃO



A paixão é tão ingrata
Que dói cá dentro do peito -
Dor aguda que não mata!
A paixão é tão ingrata
Que me deixa insatisfeito
Por mais um amor desfeito.
A paixão é tão ingrata
Que dói cá dentro do peito!

by Jayme Lorenzini García
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ELEGIA DE UMA QUARTA-FEIRA DE CINZAS


 
Para Dayanne Viegas

Juncarei com minhas lágrimas doridas
O caminho de luz que hás de trilhar
Semeando tua saudade em muitas vidas:
És exemplo que não se pode olvidar!

Me custa crer que hajas, de repente,
Alçado voo às mansões sidéreas,
Retornado à infância sorridente,
Inalado o hálito fremente e
Asqueroso das fauces funéreas!

Repentinamente... e estás dormindo
O sono antigo que angustia a humanidade
Deuses e homens a chorar, carpindo,
Resolutos a tristeza que me invade!
Imensurável dor que me abate
Guiando a emoção que se esvai -
Unívoco pesar sem disparate -
Enquanto dormes, meu querido pai,
Serenamente o sono bom dos justos!

Ver-te assim na despedida! Ah, vetustos
Instantes que se vão passando
Em câmera lenta, dores obumbrando...
Gládio que atravessa-me, injusto,
Asfixiando de meu rosto a calma...
Seta aguda que me fere a alma!....

by Jaime Adilton Marques de Araújo

Homenagem do poeta ao grande homem público que em vida se chamou José Maria Rodrigues Viegas, o Zequinha, falecido hoje, por volta das 13:00 h! Eternas saudades!
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SORRISO LUNAR



De súbito, teu sorriso iluminou-se:
Lua Nova pousando
Em teus lábios!

by Pedro Paulo Barreto de Lima
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GAZAL DA SAUDADE


Fiz, na minha mocidade,
Transbordando de saudade,

Um gazal para você
Minha dona de verdade

Falando de um grande amor
Que brota com sinceridade

No profundo de meu ser
E inunda com suavidade

O teu corpo escultural
Templo da sublimidade

Onde venho render preito
À mais bela deidade

Você, minha alma gêmea,
Minha eterna outra metade!
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ALMA EM DESALINHO


Mote
Quando o espírito empobrece
A alma vaga sem destino!
Izaura N. Soares

Quando o espírito empobrece
A alma vaga sem destino:
Perde a razão, embrutece,
E comete um desatino!

Perde o trato columbino
Que a poesia enobrece;
Quando o espírito empobrece
A alma vaga sem destino!

A alegria desaparece
Some o riso em torvelino,
Do peito se esvai a prece...
Já não resta nenhum trino
Quando o espírito empobrece!

by Jayme Lorenzini García
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VIVER A VIDA



Viver a vida é amar
O azul castanho
De teus olhos!

by Jayme Lorenzini García
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PRISÃO DO MEU AMOR


Mote:
Oh, musa de meu mundo encantado!
Clausura desta alma combalida.
Edith Maria Lobato

Oh, musa de meu mundo encantado!
Clausura desta alma combalida,
Quem dera ser o teu eterno amado,
E que desses plena acolhida

Ao meu amor! Mas é luta perdida
Atingir teu coração fechado.
Oh, musa de meu mundo encantado!
Clausura desta alma combalida.

Tu és o meu sonho acordado
És a rima de minh'alma entristecida
Por isso hei de seguir meu fado:
Louvar-te por toda a minha vida,
Oh, musa de meu mundo encantado!

by Jaime Adilton Marques de Araújo
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A MURALHA DAS LAMENTAÇÕES...



Debruçado sobre a muralha chinesa vou esperar
A última notícia do suicídio coletivo:
Ah! São os Filhos de Gandhi, embora adotivos,
Que desistiram da vida e mancharam o luar...

Há outras mortes pelo mundo à fora. Os motivos
Nem sempre são os mesmos. Mas um só é o penar...
Debate-se no Caos a Vida e lança imprecativos
Contra a desordem que reina impávida a assolar!

Apesar de desgraças mil a luta continua
Nos sobreviventes imersos em suas misérias
Transeuntes da Ilusão, homens sem berço, de rua,

Que choram os seus mortos enquanto a Noite avança
Sobre todos com suas chagas imensas, deletérias,
Ruindo Corações... Sonhos... Desejos... Esperança...

by Manoel da Silva Botelho
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HAYKAI Nº 16



Sonhos se desfazem
Na tenebrosa noite -
Lua minguante.

by Jayme Lorenzini García
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SOB O OLHAR DE EROS...



Sob a mira de Cupido, deus do Amor,
Meu coração, repousa, sossegado!
Pois não há quem suplante o valor
Dos eflúvios que sente o Enamorado!

Somente quem já esteve apaixonado
Sabe dos versos seguintes o teor:
Sob a mira de Cupido, deus do Amor,
Meu coração, repousa, sossegado!

E repousando sigo avante sem temor
Olho as estrelas e me sinto extasiado
Do universo sinto todo o esplendor
Quando a Amada senta-se ao meu lado
Sob a mira de Cupido, deus do Amor!

by Jayme Lorenzini García
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OFERENDA





Oferto este pródigo poema
Ao luar extasiante
Que rompendo a escuridão da noite
Afaga o coração
Dos que ainda creem no amor!
Ao cintilar intermitente
Das estrelas
Que mesmo a anos-luz
De distância
Inundam com sua luz
A fé dos desesperados!
A mim, poeta louco,
Que oferto este poema
Aos corações nefelibatas!

by Olímpio José de Araújo
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SAUDADE DA FELICIDADE DE OUTRORA


Mote:
Escorre na minh’alma essa saudade,
Dos dias prenhes de contentamento.
Edith Maria Lobato
Escorre na minh’alma essa saudade,
Dos dias prenhes de contentamento
Em que eu vivi, a bem da verdade,
O amor maior de que se tem conhecimento.

Um amor pleno de gozo e tormento:
Adão & Eva, tristeza e hilaridade.
Escorre na minh’alma essa saudade,
Dos dias prenhes de contentamento.

Os quais passei durante a mocidade
Do Amor ao lado em doce esquecimento.
Fui feliz e não sabia!... Quem há de
Ouvir-me agora a dor desse lamento?
Escorre na minh’alma essa saudade...

by Pedro Paulo Barreto de Lima
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UM PLÁGIO POR AMOR



Minha eterna Bem-Amada,
O milagre da vida se repete
A cada novo amanhecer...
À medida que o sol e a lua se sucedem
Mais, muito mais amo você!

É um sentimento lindo
Que me invade a alma
E me faz feliz.

Uma vontade louca
De beijar-te a boca
E te ver sorrir!

Quero transformar
Em sincera poesia
A doce sinfonia
Desse teu olhar!

Quero morrer em teus suplícios
Pois a vida corre como fumaça
E nos teus braços plagiar Vinícius:
Te quero tanto, mulher que passas!...

by Léo Frederico de Las Vegas
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NÉVOAS



Indiscutível verdade:
Os versos que nos escapam
Não nos pertencem!

by Jayme Lorenzini García
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GAZAL DO ETERNO QUERER


Do queijo não quero a cor:
Quero o gosto, o sabor!

E de teus olhos a ternura
E dos teus lábios o dulçor

De tua pele a brejeirice
Dos teus cabelos o negror

E de teu corpo a entrega
E de tua alma o langor

Dos teus carinhos o arrepio
De tuas carícias o calor

E das tuas ancas o rebolado
E do teu ventre o ardor

Do beijo não quero a corola:
Quero o néctar, a flor!
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HAYKAI Nº 15


Nuvens resplandecem
No mata-borrão do céu -
Luzes da Lua Cheia!

by Jayme Lorenzini García
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LEMBRANÇA



Quando a tarde declina silenciosa
Pode-se ver  - fúlvido e ígneo - o sol
Por entre nuvens - sua luz lamentosa -
Tingindo de fino ouro o arrebol!

Seus últimos raios atingem a Terra
E ele então se vai, se distancia...
Lúgubre chega a escuridão que aterra
No bojo da noite insípida, sombria!

E com a noite chegam as lembranças
Do meu saudoso tempo de criança
Quando então, faceiro e sorridente,

Beijava os lábios de minha doce amada...
Ah, em noites assim sombrias ou enluaradas
Nós nos amamos ávida e suavemente!

by Léo Frederico de Las Vegas
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CONSELHO POÉTICO



Deixe a poesia de hoje para segunda-feira.
Hoje é dia de felicidade.
Hoje é domingo.
Dia de beijos,
Gemidos,
Prazer
E
Orgasmo.

Liberte-se!
Deixe a fantasia rolar...
Se vier,
Por acaso,
A poesia,
Diga-lhe que não.
Que não a acolherá em seu colo
Por que hoje,
Hoje é dia de alegria.
Hoje não pode ser.
Amanhã,
Talvez amanhã
Porque amanhã é segunda-feira.

by Léo Frederico de Las Vegas
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A TERNURA DO AMOR SEM FIM


Existe uma palavra
Que define tudo
O que sinto por você.
Mas não posso pronunciá-la
Sem que meus lábios
Queimem de ternura,
Pois é tão pequeno o mundo
Que não a pode conter.
É uma palavra-sentimento
Um painel de vida e emoção
Que flui de mim a todo o momento
E me afoga nos mares da paixão.

Minhas palavras
São tão insignificantes
Para definir quem és!

És o arco-íris que brilhou no céu
De minha vida
Depois de uma negra tempestade.

És a musa que inspirou estes versos,
És meu universo!

Ah, como eu daria tudo
Para ter você sempre ao meu lado
E poder dizer-te
A palavra-mistério
Que faz parte do meu amor por ti!
EU TE AMO!

by Léo Frederico de Las Vegas
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CANÇÃO DE UMA HISTÓRIA DE AMOR



...E, quando o dia nasceu
O poeta releu
Seu poema de amor.
Viu seu romance acabar
Sob o tíbio luar
Se esvaindo com a flor.

Ah, que dor aguda no coração
Largado à vil solidão!

...Eis tudo o que restou
Ao poeta: a canção
De uma história de amor.

by Pedro Paulo Barreto de Lima
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ABANDONO



Ah! Foi cruel comigo o Destino
E desde o berço nunca tive um lar.
Abandonado fui desde menino
E o meu sustento nas ruas vou buscar.

E é tão vasto este mundo e a tristeza
Que me invade é maior que o meu ser.
Por quê, Deus santo, alguns têm riqueza
E outros, mal podem sobreviver?

Ah! Quem me dera ser feliz um dia,
E não ser mais um menino de rua,
Ter acesso à escola, à alegria!...

Ter dignidade... e o esplendor da lua!...
Mas, se esvai meu ser em letargia...
E minha esperança pelo ar flutua!...

by Léo Frederico de Las Vegas
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FACETAS


Mote:
A vida não é feita só de olor!
Edith Maria Lobato


A vida não é feita só de olor!
Ela também tem suas farpas
Que muitas vezes podem nos ferir...

Cabe-nos, amparados no amor,
Escalar montanhas e escarpas
E buscar da poesia o elixir!

A vida, isso é verdade, não é só riso,

Mas suas dores nos levam ao Paraíso!

by Jaime Adilton Marques de Araújo
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Apresentação

Cantinho da Saudade é o espaço virtual de compartilhamento de meus rabiscos de poesia produzidos desde 1994 até a atualidade, através dos quais canto a vida em suas múltiplas nuances! Os poemas que aqui vão são elaborados de acordo com as mais variadas regras e temáticas da arte poética clássica, moderna e contemporânea, consoante as múltiplas vozes de meus heterônimos!


Prefácio

Cantinho da Saudade é o meu blog
Onde quase sempre venho postar
Arrebóis, luas ternas, brisas do mar
E uma velha ternura de buldogue!

Mergulhe à vontade, mas não se afogue
Nas águas cristalinas desse mar...
Mas se razão faltar-lhe pra chorar,
É favor vir outro dia bem mais grogue,

Pois aqui encontrará um coração
Dilacerado sob o plenilúnio
De lembranças perenes de emoção

E saberá que da vida o infortúnio
É buscar, em vão, na velha madrugada,
O sorriso da Eterna Namorada!


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