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UMA COROA PRA VINÍCIUS DE MORAES



I

De tudo ao meu amor serei atento
Certa feita garantiu-nos o poeta
Que desde então para alcançar a meta
De seu amor não descuidou um só momento.

E assim, com o mais puro sentimento,
(Na alma a graça e a elegância de um esteta
Majestoso qual bíblico profeta)
Exaltou, sua doce amada, a contento

Que não existe outro amoroso canto
Que rivalize em beleza e verdade
Ao seu melhor soneto já escrito,

Pois só o 'Soneto de Fidelidade'
Canta o eterno amor jamais proscrito
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto!

II

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Ao modo de Vinícius de Moraes
Vou viver com o meu amor - guerra e paz -
Bons momentos de ternura e acalanto!

Lá nos longes da alegria, no recanto
Aonde tristeza já não chega mais
Vamos viver prazeres imortais
De romanescos amantes. Portanto,

Jorre embora na face algum pranto
Do medo de que um dia chegue ao fim
Essa ternura que é em mim infinda,

Terei sempre um poema junto a mim
Para louvar meu bem querer ainda
Que mesmo em face do maior encanto!

III

Que mesmo em face do maior encanto
Possa sempre ser fiel ao meu amor,
E sempre versejar em seu louvor
Num augusto poema sacrossanto!

E, se faltar-me Calíope, entretanto,
Eu possa de outras formas sem pudor
Mostrar toda a ternura e todo o ardor
Dessa paixão que me consome tanto.

E que suportar eu possa o tormento
De ver-me, às vezes, sem inspiração
Para cantar desse amor o florescer.

E assim, forjar os versos da canção
Do amor que há de sempre querer que
Dele se encante mais meu pensamento.

IV

Dele se encante mais meu pensamento,
Por ele o sangue ferva-me nas veias
E me enrede em suas ternas teias
Tirando do meu peito o sofrimento.

Que ele seja, enfim, meu lenimento,
Enovelando-me em sutis cadeias
Da amorosa engrenagem; e sem meias
Palavras seja o deslumbramento

Maior de que eu tenha conhecimento
Pra que eu possa expressar minha ternura
E o desejo de amar de forma plena

Àquela que é minha eterna aventura.
E esse amor que me deu vida serena,
Quero vivê-lo em cada vão momento!

V

Quero vivê-lo em cada vão momento
Que inda tiver de sorte nesta vida,
Para erguer uma prece agradecida
Ao Amor que deu-me refocilamento

Para viver da paixão o rudimento
E torná-la uma deusa apetecida,
Mostrando quem fechou minha ferida
Do triste peito ao dar acolhimento

Ao sentimento que causou espanto
Ao medrar no coração maior que o mundo
E que abriga da amada a tez morena.

Por ser em minha vida algo profundo
Vou viver esse amor de forma plena
E em seu louvor hei de espalhar meu canto!

VI

E em seu louvor hei de espalhar meu canto
(Pois que o amor é a música da alma)
E em seu caminho verdejante palma
Vou esparzir junto a flores de amaranto

E simplesmente ser feliz, porquanto,
Ser feliz é viver em doce calma
Com o seu amor, seu bem querer, sem trauma
Algum, sem tristeza, sem desencanto!

Envolver do mistério sob o manto
Esse amor que é toda a minha vida
É meu dever e ofício de poeta.

Por isso, sempre vou estar em sua ermida,
Vivê-lo de forma plena e concreta
E rir meu riso e derramar meu pranto!

VII

E rir meu riso e derramar meu pranto
É meu sincero dever dia após dia
A esse amor que é todo alegria,
Razão do meu cantar em microcanto

De ser feliz o gozo sem quebranto
Que consiga esfacelar a harmonia
Pois esse amor é pura ambrosia
Saboroso manjar dos deuses! Quanto

Tem de divino, tem de humano! O alento
É a parte que me cabe nesses versos
Que exaltam o amor divino e profano

Fazendo-me em momentos tão diversos
Compor um hino intenso, soberano
Ao seu pesar ou seu contentamento.

VIII

Ao seu pesar ou seu contentamento
Devo sempre entoar minha canção.
Esse amor - versiprosa e coração -
É de minh'alma o doce alimento!

Já não há nenhum gosto amarulento
Em minha vida, pois transformação
Foi o que houve ao me dar a mão
A minha Bem-Amada em casamento!

Oh, que seja sempre assim, segure
A minha doce Amada entre as suas
As minhas rudes mãos a toda a hora

E amar-nos-emos por infindas luas!...
Assim será se me procura agora
E assim, quando mais tarde me procure!

IX

E assim, quando mais tarde me procure
A solidão de amar, só por amar,
Possa o meu peito ainda entoar
A canção que eu um dia ouvi alhures,

Que falava a um bem que bem perdure
À vida não se pode amarfanhar!
E que esse amor é eterno, singular,
Todos sabem posto que se assegure!

Esse é o amor mais sincero que já tive
Que desafia a lógica da razão
E as circunstâncias do tempo e do espaço

Morando aqui dentro em meu coração
Pra quem talvez haja só um embaraço:
Quem sabe a morte, angústia de quem vive!

X

Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Esteja às portas, à minha procura,
Querendo embora levar-me a ternura
Do frio Letes deixando-me no aclive!

Quem sabe eu seja um simples detetive
Da paixão que me inflama com loucura
E por isso toda a minha aventura
Seja menor que o amor que sempre tive!

Cantarei, contudo, à crepitante chama
Desse amor que ardente vai brotando
Inda que a Foice esteja à minha porta.

E se eu morrer, eu morrerei cantando
Quem sabe as cálidas mãos da Noiva morta,
Quem sabe a solidão, fim de quem ama!

XI

Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Seja a tristeza estanque das estrelas
Que se esparrama fluídica pelas
Muitas galáxias - do amor fogo e chama!

Quem sabe a se fechar esteja o drama
Que animou as lindas linhas paralelas
Da minha vida que venceu janelas
E a vida celebrou num panorama!

Quem sabe hoje o meu verbo aqui arquive
A mais nobre emoção jamais sentida
Num verso sóbrio, soberbo e castiço:

Amo amar o meu amor amando a vida!
Que este sempre seja o meu lema e que isso
Eu possa me dizer do amor (que tive)!

XII

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Esse amor simplesmente foi meu tudo,
Minha luz, meu céu, meu ar e, sobretudo,
Meu universo, e de minh'alma o declive!

Cantando o amor eu posso (inclusive)
Usar metro irregular e verso rudo
Pra dizer coisas básicas, contudo,
Que falem dos lugares onde estive

Levando a minha amada além da cama:
O magnífico pôr-do-sol, a lua
Cheia e bissexta perambulando a esmo,

Noivos entrelaçados pela rua...
Quero cantar o meu amor ainda mesmo
Que não seja imortal, posto que é chama!

XIII

Que não seja imortal, posto que é chama
Esse amor que por dentro me avassala,
Que incendeia o meu cantar e que não cala
À furiosa paixão que me inflama!

Que esteja sempre atento ao que brama
A triste alma do poeta que embala
Sonhos, quimeras, anjos e cabala
Pra viver sempre ao lado de quem ama.

Que seja sempre assim e que procure
O doce bem-estar da coisa amada
Sob o som da poesia inaudível...

Que não seja só um conto-de-fada
Que não seja, por humano, invencível,
Mas que seja infinito enquanto dure.

XIV

Mas que seja infinito enquanto dure
Esse amor que é maior que o meu peito
Que se mostre, entre outros, o mais perfeito
E que traga uma chama que perdure

Mais que um dia de prazer e que procure
Impregnar o gosto liquefeito
Sob os lençóis no amoroso leito
Da devassa paixão, feliz, allure,

E mais forte que o próprio pensamento
De vivê-lo da forma mais humana
Pelas veias dos gemidos sussurrantes

Que nos mostram sua face mais profana...
Quero-o, assim, cativo! Afinal, antes
De tudo ao meu amor serei atento!

by Jaime Adilton Marques de Araújo

Apresentação

Cantinho da Saudade é o espaço virtual de compartilhamento de meus rabiscos de poesia produzidos desde 1994 até a atualidade, através dos quais canto a vida em suas múltiplas nuances! Os poemas que aqui vão são elaborados de acordo com as mais variadas regras e temáticas da arte poética clássica, moderna e contemporânea, consoante as múltiplas vozes de meus heterônimos!


Prefácio

Cantinho da Saudade é o meu blog
Onde quase sempre venho postar
Arrebóis, luas ternas, brisas do mar
E uma velha ternura de buldogue!

Mergulhe à vontade, mas não se afogue
Nas águas cristalinas desse mar...
Mas se razão faltar-lhe pra chorar,
É favor vir outro dia bem mais grogue,

Pois aqui encontrará um coração
Dilacerado sob o plenilúnio
De lembranças perenes de emoção

E saberá que da vida o infortúnio
É buscar, em vão, na velha madrugada,
O sorriso da Eterna Namorada!


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