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NAVEGAM, POR MEUS RIOS, MUITOS POETAS



Navegam, por meus rios, muitos poetas!
Em meus leitos há barcos naufragados.
Há murmúrios e sorrisos marejados
E da meiga namorada as brancas tetas!

Há segredos que nunca foram revelados:
Quais os nomes das quatro moças da corveta
(Ana Márcia? Dulce? Lenita? Marieta?)
Que submergiram no meu perau - constelados!

Navegam, por meus rios, estrelas surdas,
E saudades muito estranhas, absurdas
De um sentimentalismo regado a sonhos.

Em meu leito há poemas inconclusos
E eu constato entre cético e confuso:
Em mim habitam anjos e demônios!

by Léo Frederico de Las Vegas
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A REDENÇÃO DOS ARAÚJO



Ele esteve hoje aqui em casa.
No olhar cansado, a experiência dos anos.
Na voz enrouquecida,
A saudade das primaveras de antanho!
No jeito de conversar
A denúnia clarividente
De uma educação defeituosa,
Cerceada de afetos, de carinho
E ternura!

Por isso, o olhar distante,
Por isso o desconversar
Quando o assunto é a melhor forma
De educar nossos bigurrilhos.
Por isso, a secura dos olhos!

Vontade de ninar-lhe,
De beijar-lhe os olhos,
De afagar-lhe as mãos,
De dizer-lhe: eu sempre te amei
Ainda que não tenha aprendido
A demonstrar isso...

Talvez,
Talvez não haja mais tempo.

A cratera em minh'alma é gigantesca
E temo que esteja transferindo
Esse espólio de carência afetiva
A meus filhos...

Não!
Não quero repetir o erro...

Não quero falhar com meus filhos,
A(e)fetivamente,
Como falhou comigo o meu Pai,
E com o meu pai, o meu avô
E com este...

Quem falhou mesmo com meu avô??

Até onde eu sei
Meu avô se criou órfão dos pais,
Órfão de ternura,
Órfão de carinho!

E essa orfandade
Talvez tenha infundido sulcos
Irreparáveis de tristeza e solidão
Na combalida alma de meu avô!

Por isso a rispidez nos gestos soberbos
Por isso a angústia, a tristeza
De não poder demonstrar o amor...

Mas, ele, o meu pai,
Esteve hoje aqui em casa
E fez durinho com o meu filho
E passou a mão em seus cabelos
E brincou de pira-esconde
Com o meu filho,
O Marcus Vinícius,
Que nasceu pra ser
Enfim,
A redenção dos Araújo!

by Jaime Adilton Marques de Araújo
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MEU DESEJO




Meu desejo? Era ser a água fria
Que te banha, ouvindo esses teus ais!
O sabonete que acaricia
Gostoso tuas partes sensuais!

Meu desejo? Ser a toalha tua
Que te envolve inteira num instante...
O espelho onde te vês toda nua
- Febre do meu sonho delirante!

Meu desejo? Era ser a calcinha
Que esconde a visão de meus delírios
E a perfuma para a sede minha
De dálias, de rosas e de lírios!

Meu desejo? Ser os sutiãs
Que te afagam os seios virginais
E dos teus mamilos as maçãs
Beijam, e sugam, e mordem mais!...

Meu desejo? Era ser a tua cama,
O teu lençol macio e o travesseiro
Onde sonhas, onde se esparrama
Teu belo sorriso feiticeiro!

Meu desejo? Ser este poema
Que te expressa o meu mais puro amor
Ser quem tu desejas que em hora extrema
Te possua num sonha tentador!

by Daniel Jônatas M. de Queirós Mauá Jr.
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ULTRA-ROMÂNTICO



- Que queres, amor, que te dê
Neste momento em que o tempo parece ilógico
E enlaçamos as mãos, enamorados?!...
Pede-me, - e dar-te-ei - que vais querer?
Um poema? Uma rosa? Um canário?!



- Ah, quem me dera me deras um zoológico
Cheio de onças, araras, mico-leões-dourados
Garças, beija-flores e tartarugas e um aquário
Com um cardume de garoupas!

- Escuta aqui, ó garota!
Não tens pudor?
Estás querendo
Mesmo o brasileiro
Faunário
Ou estás me fazendo
De otário
De olho no meu dinheiro,
No meu saldo bancário?

Ora, Senhor!

by Daniel Jônatas M. de Queirós Mauá Jr.
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DA UNIVERSALIDADE DA POESIA



A poesia não se restringe a uma época
Ainda que venha datada e com local.
Ela sempre tem um quê de eterno, universal,
Que a torna a mais venerável déspota!

Na poesia somos todos inconstantes:
Deitamos com Cecília, Adélia e Henriqueta.
Dizemos ser Vinícius nosso maior poeta...
Mas lembramos de Drummond e de Murilo Mendes!

Amamos homens e mulheres, não importa.
A poesia não tem sexo e nem tem cor
E a qualquer hora pode bater em nossa porta.

Mas... a seguir o conselho de Quintana
"Nunca dates os teus poemas" não vou por
Local nem data. Este soneto será chalana!...

by Daniel Jônatas M. de Queirós Mauá Jr.
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SEGREDO REVELADO



Eu vou dizer o que ninguém ousou ainda.
Você, talvez, caro leitor, nem me dê crédito;
Mas o que eu tenho a revelar é algo inédito,
Inacessível em recôndita berlinda!

Mas, todo mistério um dia tem sua áurea finda
E o segredo vem à tona, talvez por édito,
Ou, quem sabe, por voz de quem não tem descrédito.
Por isso, direi o inefável e a frase linda!

Maneira esdrúxula de começar terceto.
Praticamente terminamos o soneto
E nada de o tal segredo se revelar...

Mas o que direi poeta algum já disse um dia:
– Quero feliz morrer no colo de Maria,
E por minha vida inteira a quero amar!

by Daniel Jônatas M. de Queirós Mauá Jr.
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OCASO VERDE



A Esperança, calcinada,
Espreita da janela.
Fim de tarde para Hiroshima!

by Léo Frederico de Las Vegas
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SONETO DE AMOR E DESEJO




Sob os lençóis aveludados te espero
Em nossa cama para a mágica sessão
De amor & sexo, de desejo & tesão
Que vai tirar-nos desse desespero

Que nos invade. Hoje eu te quero
Para aplacar de meu corpo o vulcão.
O membro hirto já demonstra a paixão
E o meu desejo de possuir-te é sincero.

Por isso, vem, querida minha! A nudez
De meu corpo é completa. Traz-me a tua
E nos amemos, gozando com insensatez

O gozo pleno das estrelas e da lua
Deixando o cheiro dessa louca embriaguez
Se esvair, noite a fora, pela rua!

by Daniel Jônatas M. de Queirós Mauá Jr.
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SONETO DOS DIAS TURBULENTOS


A nostalgia dos dias me enlouquece
Nesse afã de respirar um sentimento
E de vivê-lo em todo o vão momento
Que já não sei de minha vida. Parece

Que me esqueço, e a vida, incólume, acontece.
Já não sei discernir entre paz e sofrimento.
Busco encontrar na poesia o lenimento
Para esse angústia que já o meu estro fenece.

E saio à rua anoitecida de setembro.
Um não-sei-quê de ternura que não lembro
Me toma de assalto - seria saudade dos meus avós?

Sei que no brejo coaxa a saparia
E me enregela o corpo tal letargia
Que vou parindo este soneto de gosto atroz!

by Daniel Jônatas M. de Queirós Mauá Jr.
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UMA NOITE COM VOCÊ



A emoção de ter você ao meu lado
Nesta silente noite enluarada
Faz transbordar de alegria, ó Amada
Minha, o meu coração apaixonado!

Entre mil beijos, nós, os enamorados,
Vemos aproximar-se a madrugada
Trazendo consigo seus mistérios e fadas
Ao ninho do nosso amor encantado!

E então vivemos a emoção sem par
De amor fazermos à luz do luar
De gozarmos inefáveis momentos!

Os nossos corpos nus e agarradinhos
Em delírios de amor e de carinhos
Expressam todos os nossos sentimentos!

by Léo Frederico de Las Vegas
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RIOS



A poesia nunca é igual.
Pode ser o mesmo, o sentimento,
Pode ser o mesmo, o motivo,
Podem ser as mesmas circunstâncias,
Até o poeta pode ser o mesmo,
Mas a poesia nunca é igual.

A poesia é única,
Peculiar,
Singular,
Ímpar,
Atômica!

Ainda que sejam as mesmas palavras
Ainda que sejam as mesmas rimas
Ainda que o verso livre seja o mesmo

A poesia nunca é a mesma
Ainda que unívoca...

E ela nos toca sempre
Com seu jeito inequívoco
De deusa serena

Não importa o lugar,
Não importa a rima
Ou sua ausência
A poesia nos toca,
Arrebata-nos a alma,
Sem pedir licença!

by Léo Frederico de Las Vegas
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JÁ NÃO SEI QUEM SOU



Já não sei quem sou
Só sei que eu não sou
Quem eu era antes.
O mundo gira velozmente
Na velocidade
Das batidas de meu coração!
E o meu coração
É uma colcha de retalhos
Buscando no baú das estrelas
O sentido desta
Minha solidão!
Olho de soslaio para a vida
E percebo o movimento
Das borboletas
E ouço o coaxar dos sapos
Que vão vivendo
Indiferentes
À dor que me dilacera a alma!

by Léo Frederico de Las Vegas
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AOS AMANTES DOS MEUS VERSOS LOUCOS



Eu vos dou de beber da poesia
Que jorra de minh’alma entristecida
Reencenando a cena dolorida
Que me levou embora a alegria…

De beber eu vos dou da fantasia
Que trago camuflada, escondida
Sob o olhar de fênix renascida
Denunciando meu pudor a cada dia.

O pudor de amar sem ser amado,
De entregar meu coração apaixonado
À Moça linda lá da casa de reboco.

Eia! Bebei até fartar-vos desse vinho
Que escondi em meu peito com carinho
Para vós que me achais poeta louco!

by Léo Frederico de Las Vegas
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ANGÚSTIA D’ALMA

 

Oh, não! Não me leias!
(Estou amargo!)
Meu poema
É um veneno letal
Para os teus
Ouvidos líricos!

Jamais
Encontrarás versos
Que te exaltem -
Imagem escultural -
Enquanto mulher!

Tampouco
Terás a comoção
De ver teu trabalho
Diversificando-se em mais-valia,
Ó operário em construção!

Mulher,
Musa inspiradora
Dos poetas românticos,
Simbolistas, parnasianos,
Modernistas
És agora
A musa delatora
Dos meus tristes versos
Que pairam
Sobre a miséria do mundo.

Ó operário
Em construção
Que sempre dizias sim
E agora dizes não
Teu não é agora
Carregado de tristeza
E procuro
Encontrar em teu soluço
A resposta
A solução
Para o drama,
Fantástico,
Energúmeno drama
De ser humano.

Oh, não! Não me leias!
Por favor
Faz qualquer outra coisa
Como por exemplo
Ouvir os Mamonas Assassinas
Mas, não me lê!
Por que irias marejar
Teus olhos?

O meu drama
Oh, que patético!
É um veneno letal
Que poderá
Corroer-te a alma
E te lançar
Nesse oceano de desilusões
Em que me encontro.

Teus ouvidos líricos
Precisam de Beethoven,
De Mozart
Embora
Tenham sido eles vítimas
Da mesma melancolia!…

Ó teus olhos precisam
Inebriar-se de Bandeira
Embora este
Tenha-te flagrado
Catando comida
Entre os detritos!

Precisas de Drummond
Com o seu mundo,
Mundo, vasto mundo!
Que embora
Tenha um solo fecundo
A milhões, ouviu?
A milhões nNega o pão!

by Léo Frederico de Las Vegas
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ILUSÓRIA MIRAGEM


Cerrando os olhos eu posso ver
A tua lúcida e encantadora imagem
Vindo de mansinho afagar meu ser
Na mais alucinante e ilusória miragem!

E, sendo enlevado pela imaginação
Vejo então que você vem me consolar.
Todo o meu íntimo vibra com emoção
Quando tua boca de estrelas me vem beijar!

Nessa louca miragem, nessa ilusão
Você me beija, me abraça e me ama
E me faz feliz de vez o coração!

Com amor, me levas para a cama
E matas a minha ardente paixão
E me apagas do prazer as vivas chamas!

by Léo Frederico de Las Vegas
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QUERIA SER UM PÁSSARO

A Marta Moraes Garcia


Eu amo você
Com toda a força que emana do meu ser;
Já não sei viver
Sem ter você, ó minha Amada!
Quero te dizer
Com a linguagem linda do meu coração
Que sempre quero ser
O teu amor, tua ternura!

Queria ser um pássaro
Para no teu lindo céu sobrevoar
E na janela do teu quarto entoar
Uma canção aos teus ouvidos.

Quem me dera ser um pássaro
Pra te encantar, meu amor, com o meu canto!
E através dele te dizer que te amo tanto
E que és o meu encanto…

(Quem me dera!)

Lembro, ó meu amor!
Da vez primeira em que você me beijou
Com muito amor
Foi numa noite enluarada!
O teu meigo amor
Está tomando conta do meu coração
Vivo esse amor
Com a mais plena ternura!

Queria ser um pássaro
Para no teu lindo céu sobrevoar
E na janela do teu quarto entoar
Uma canção aos teus ouvidos.

Quem me dera ser um pássaro
Pra te encantar, meu amor, com o meu canto!
E através dele te dizer que te amo tanto
E que és o meu encanto…

(Quem me dera!)

Minha amada, com amor,
Quero unir
Nossos lábios num somente
E assim
Com você sempre ser feliz!

by Léo Frederico de Las Vegas
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Apresentação

Cantinho da Saudade é o espaço virtual de compartilhamento de meus rabiscos de poesia produzidos desde 1994 até a atualidade, através dos quais canto a vida em suas múltiplas nuances! Os poemas que aqui vão são elaborados de acordo com as mais variadas regras e temáticas da arte poética clássica, moderna e contemporânea, consoante as múltiplas vozes de meus heterônimos!


Prefácio

Cantinho da Saudade é o meu blog
Onde quase sempre venho postar
Arrebóis, luas ternas, brisas do mar
E uma velha ternura de buldogue!

Mergulhe à vontade, mas não se afogue
Nas águas cristalinas desse mar...
Mas se razão faltar-lhe pra chorar,
É favor vir outro dia bem mais grogue,

Pois aqui encontrará um coração
Dilacerado sob o plenilúnio
De lembranças perenes de emoção

E saberá que da vida o infortúnio
É buscar, em vão, na velha madrugada,
O sorriso da Eterna Namorada!


Visitas de Calíope e Érato

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