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HOMENAGEM PÓSTUMA AO POETA SOLITÁRIO



Diga para mim, amigo Poeta,
(pois sabes que és meu amigo pra valer):
Onde estás nesse exato momento
em que a Indesejada, de forma tão covarde, beija teu meigo rosto?
Como foste abandonar este Vale de Lágrimas tão cedo,
uma vez que nem chegaste à tão aguardada casa dos "enta"?
Inda pulsa em minhas veias a verve de tua poesia intemerata,
poesia da gema, poesia sem firulas, que eu degustava embevecido,
Velando no obscuro de minha patética Solidão,
eterna e triste solidão dos que pitam e fazem poemas!
Ainda ontem lendo Vinícius: “Quantos somos, não sei... Somos um, talvez
dois; três, talvez, quatro; cinco, talvez nada...” lembrei teus versos
Liquefazendo a Saudade e o Amor para alimentar a Humanidade
com a exuberante seiva da Vida!

Docival, Civaldo, Valdoci... Por que nome devo chamar-te
neste estranho, e único, e indelével momento
Em que o gracejo de minha alma angustiada busca a fonte de amor
que de ti tão abundantemente jorrava?

Ser, ah, quem me dera, um simples verme que chafurdasse
na lama luarescida por tua presença luminosa!
O pária que fosse explicado na sempre inconclusa poesia social,
que realizavas tão facilmente, tão naturalmente!
Um grito de “Meu Deus!” à la Drummond,
ante a miséria estampada nos rostos mestiços dos Marajós...
Zarabatana, zagaia envenenada, cambão de aquariquara a pescar
os dociamargos frutos do imenso e denso rio-mar;
A vida, enfim, que aos borbotões, por rios e igarapés
desse tão sofrido Marajó se insinua!...

Guerreiro estelar, por onde voas agora?... Por que estás imóvel, emudecido,
tu que a pouco rias da Vida, zombavas da Morte, enaltecias o Caos?!...
O Grande Mistério apresentou-se-te e nem nos deste um aviso, seu sacana,
nenhum silvo sequer no ranger do velho portão do Casarão Abandonado...
Mas, quanto aos outros, (que somos muitos, milhares talvez),
sim, quanto aos outros poetas, teus irmãos, a lamentar tua Perda
Estamos quedados, emurchecidos, inertes, insones, chorando tua Ausência
que era a mais luminosa presença de um autêntico amante da Poesia!
Sossega em paz amigo poeta, pois os que ficamos, continuaremos lutando,
gritando versos de amor ao luar para honrar tua prodigiosa lembrança!...

by Jaime Adilton Marques de Araújo

Apresentação

Cantinho da Saudade é o espaço virtual de compartilhamento de meus rabiscos de poesia produzidos desde 1994 até a atualidade, através dos quais canto a vida em suas múltiplas nuances! Os poemas que aqui vão são elaborados de acordo com as mais variadas regras e temáticas da arte poética clássica, moderna e contemporânea, consoante as múltiplas vozes de meus heterônimos!


Prefácio

Cantinho da Saudade é o meu blog
Onde quase sempre venho postar
Arrebóis, luas ternas, brisas do mar
E uma velha ternura de buldogue!

Mergulhe à vontade, mas não se afogue
Nas águas cristalinas desse mar...
Mas se razão faltar-lhe pra chorar,
É favor vir outro dia bem mais grogue,

Pois aqui encontrará um coração
Dilacerado sob o plenilúnio
De lembranças perenes de emoção

E saberá que da vida o infortúnio
É buscar, em vão, na velha madrugada,
O sorriso da Eterna Namorada!


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